Rascunhando o dia-a-dia

Coisas úteis, inúteis, legais (ou não)

E eu tola deixo-te entrar,
Bagunçar meu canto,
Encantar nosso encontro,
E depois zarpar.

Apenas olho enquanto você zoneia-me,
Troca os móveis de lugar,
Arranca as flores do jardim,
Deixa teu perfume de carmim
Pairando pelo ar.

E eu tola, bagunço meu canto,
Buscando nosso encontro,
Pairando pelo ar.

Apenas olhe, enquanto arranco as flores do jardim,
Caçando teu perfume de carmim,
Entre os móveis já fora de lugar,
Imitando cada gesto teu
Como se fosse adiantar.

Exausta, grito que sumas!
Mesmo que de corpo já não permaneças
O carmim ainda paira entre as flores no jardim.
E ainda em minha cabeça.

Então, apenas olho entre os móveis tolos,
Que ainda esperam que chegues,
Para bagunçá-los todos.

Os móveis apenas olham,
Enquanto encontro apenas nosso desencontro.
E eu, em meu tolo canto,
Vejo que já zarpas-te de meu mundo tonto. 


Não precisa ser demais,
Deve apenas ser capaz
De me amar cada vez mais
E deixar tudo pra trás.

Um que valha por dez,
Que a noite me aqueça os pés.
Não carece nem de anéis.
Apenas sorte, sem revés.

Não precisa ser Paris.
Quero fazer-te feliz
Cada vez que me sorris.

Que me acalente com tua voz,
E que para tu só haja nós.
Nem lento nem veloz
E de afeto sejas a foz.

Deve brilhar feito luz,
E em caminhos de campos nus,
Levar-me à céus azuis.

Fui buscar no dicionário o sentimento que melhor expressasse o que eu sinto por ele.
Comecei por 'fanatismo' (minha mãe costuma dizer aos outros : "ela é vascaína fanática"), mas nunca me considerei deste grupo. E lá, encontrei: "Fanatismo é o estada psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema..." Definitivamente, não é fanatismos, primeiro porque meu sentimento está longe de ser racional, segundo o VASCO não é coisa ou tema, é 'minha vida, minha história, meu primeiro amigo.'
Opção cortada!
Fui para 'doente' de "vascaína doente" - antes de saber o significado literal da palavra digo de antemão, não é isto também, mas vamos lá:
"Que tem saúde alterada, enfermo, que sofre, padece, débil, fraco, de saúde frágil, sujeito a enfermidades, doentio, defeituoso, vicioso..."
Pff, passou longe! Eu poderia dizer o não de cada adjetivo, mas vou me limitar a dizer que não é isto.
Aproximando mais, fui pesquisar 'paixão'. Talvez seja isto, de fato. Veremos:
"A paixão é uma emoção de ampliação quase patológica. É tipicamente um sentimento doloroso e patológico, porque, via de regra, o indivíduo perde parcialmente a sua individualidade, a sua identidade e o seu poder de raciocínio."
Não, não, não, não! Enganei-me totalmente! Patológico? Aí entra a história da doença, tô fora!
Dor? Também não, as vezes tristeza, mais vezes ainda felicidade e êxtase, mas dor não!
Perder poder de raciocínio? Entra no caso do fanatismo e eu já disse que não é isso!


Cheguei a conclusão que só pode ser amor! Busquei significados, mas nenhum me convenceu! Amor não tem significado, não tem explicação. Só entende quem sente! Aliás nem quem sente! Não dá pra entender. É uma mistura de sentimentos, que envolve alegria, respeito, afeto, carinho... Está ligado âmago do ser humano, é uma relação eterna e incondicional.
Ser VASCO é ter o amor correspondido, é ter a certeza que hoje ele é maior que ontem e amanhã será inevitavelmente mais grandioso que é hoje. É se emocionar, cantar, torcer e acima de tudo admirar!
Amar ao Vasco é ter a certeza que o vínculo criado é maior que qualquer outro. Supera qualquer barreira, do preconceito, e isso já foi provado, do racismo, discriminação, classe social...


Ser VASCO é encontrar-se com os olhos marejados por rever algum lance histórico, é se arrepiar durante a execução de seu hino, é ser orgulhar de sua história é amá-lo acima de tudo e de todas as coisas.


Isso é ser VASCO.


Amar o perdido
deixa confundido este coração.
O amor antigo vive de si mesmo, 
não de cultivo alheio ou de presença.
Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
E sou meu próprio frio que me fecho,
longe do amor desabitado e líquido.

Amor é privilégio de maduros.
estendidos na mais estreita cama.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão, nega a sentença.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas.
O amor bate na porta
o amor bate na aorta.

Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado.
Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

"Amor" - eu disse - e floriu uma rosa 
embalsamando a tarde melodiosa 
no canto mais oculto do jardim, 
mas seu perfume não chegou a mim.



Trechos por Carlos Drummond de Andrade 

O favelado já nasce com dom
Um dom nato de driblar as dificuldades.
Já nasce com pinta de poeta
E beleza de artista.

O favelado já tem um gingado
O samba no pé,
E a poesia nos lábios.
Já nasce com um jeitinho malandro.
Com um quê de amante
E com um traço de esperteza.

O favelado tem um molejo intrínseco,
Um tom de envolvente
E uma moleza na voz.

Favelado é fruto da loucura,
Do desenvolvimento exacerbado.
Por isso ele é ágil,
Ele é aqui, agora.

Ele desce e sobe o morro
Com uma popularidade irreverente
Uma popularidade de artista
E um espírito de vencedor inerente.

Dinheiro que nada
Vou é viver de amor
Poesia , amor e estrada
Seja lá como for.

Um amor em cada canto
Uma poesia por caminho
Na vida, esse é o encanto
Vou cantando bem baixinho.

Vou seguindo sem destino,
Sem dinheiro no bolso.
O coração sem espinho
E no papel um esboço.




Agradecimento especial ao Renan Coelho, que me fez pensar em voltar a escrever me dando o "tema" 'amor e poesia'.


A saudade é engraçada ,
Quando dá parece que mata
Mas quando a matamos parece que sumiu .
E depois que nunca sequer existiu.

A saudade é sem vergonha , 
Te tortura e te castiga
Mas quando se vai parece que nada fez .

Ela é cretina!
Te faz pensar em morrer !
Mas também em matar
Principalmente a ela.

A saudade é covarde.
Te arranca do peito o coração
E deixa um buraco a latejar.
E coloca depois como fosse corriqueiro.

Ela é manipuladora.
Torce o tempo como bem quiser.
Quando se faz presente ele parece infinito,
Quando se vai, o faz insignificante .

Nos faz sentir vivos
Mas sem querer .
Nos faz morrer
E depois esquecer .

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Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil
- Futura Engenheira Ambiental; - Técnica em Meio Ambiente; - Vascaína e - Discípula direta de Ikeda Sensei .

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Em sua maior parte textos/poesias que tratam de sentimentos, sejam eles quais forem e de preferência os mais nobre possíveis.

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